O que podemos aprender de Inovação e Estratégia com as ABELHAS

Com a experiência de já haver conduzindo algumas dezenas de workshops envolvendo estes temas, tenho aprendido que um bom evento muitas vezes tem que provocar divergência para só depois gerar convergência. Por mais que alguns ou a maioria de nós, tenhamos pouca paciência para a divergência.
Não só no mundo do Design, tão em moda hoje em dia na administração, como também na Psicanálise, que trabalha bem no caos para ir construindo sentido a partir de coisas aparentemente desconexas, como na Biologia e tantas outras disciplinas, esse é um princípio fundamental.

Na prática, tenho visto que as organizações possuem muita dificuldade em lidar com divergência e convergência, se perdem nestes dois mundos… não criam espaço para a divergência, buscam sempre a convergência, ainda que seja uma falsa ou apenas superficial convergência. Mas não é mesmo fácil. Estratégia demanda foco, poucas escolhas, mas inovação demanda diversidade, muitas apostas, de preferência muitas pequenas apostas (little bets).

Como conciliar estes dois mundos?

Talvez possamos aprender com as abelhas…

Recentemente li um artigo interessantíssimo do biólogo Fernando Reinach no Estado de São Paulo, que dizia:

“Apesar de terem uma rainha, as abelhas tomam decisões usando um processo democrático, que envolve a formação de opiniões individuais e a construção de um consenso coletivo. “

O artigo conta que cientistas investigaram o processo de decisão de escolha da construção de uma nova colmeia e aprenderam que numa primeira etapa o grupo envia as mais experientes para sondar as redondezas, cada uma acha o local que considera melhor e defende sua escolha através de uma espécie de dança. As demais abelhas visitam os diversos locais e fazem propaganda de seu favorito para os colegas, e os diversos grupos que vão se formando dançam propagando sua escolha até convencer a maioria. Quando isso ocorre, termina o processo de eleição e todas as abelhas, mesmo a rainha, partem para o local escolhido e começam a construir a nova colmeia, ai sim com um foco e alinhamento incrível.

Isso é inovação e estratégia, e as organizações precisam dos dois para seguirem adiante.

Precisam sair em busca de novas colmeias, escolhendo e construindo outros produtos e serviços para se alimentarem e viverem… precisam de divergência na inovação e convergência na execução de suas estratégias.

Parece que precisaremos continuar nos alimentando da biologia, da psicologia e tantas outras disciplinas se quisermos de fato inovar na gestão.

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2 respostas a O que podemos aprender de Inovação e Estratégia com as ABELHAS

  1. Adriane Rickli disse:

    Saulo,
    De fato as empresas tem mais dificuldades (e paciência) para lidar com o processo divergente. O que se nota é que todas as vezes que vencemos as resistências iniciais e conseguimos ajudar o grupo com esta etapa, o momento da convergência ganha em riqueza, profundidade e o potencial de sucesso do projeto aumenta. Nosso desafio como profissionais é desenvolver habilidades para facilitar o processo do grupo no momento da divergência, ajudando-os a enxergar/ ouvir/ perceber para além do primeiro discurso. Vamos falar mais sobre isso. Gostei do tema!

  2. Saulo Bonassi disse:

    Oi Adri,

    Obrigado pela contribuição! Legal ter você por aqui. Vamos sim conversar mais sobre o tema…

    Um gde abraço,
    Saulo

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